Levantamento com dez instituições financeiras mostra preferência por Itaú, Petrobras, Vale e Axia Energia em um mês marcado por cautela, juros elevados e menor presença do capital estrangeiro na Bolsa brasileira
Redação Portal Três Pontas
Leonardo Henrique Miranda Cruz
As carteiras recomendadas para julho de 2026 revelam que bancos, empresas de commodities e companhias consideradas defensivas continuam entre as principais escolhas das instituições financeiras para a Bolsa brasileira.
Um levantamento que reuniu as indicações de dez bancos, corretoras e casas de análise apontou o Itaú Unibanco como um dos nomes de maior consenso no mercado. As ações preferenciais do banco, negociadas pelo código ITUB4, receberam cinco recomendações. Já os papéis ordinários ITUB3 apareceram em uma carteira adicional.
Também ficaram entre os ativos mais citados as ações preferenciais da Petrobras, PETR4, as ações da Vale, VALE3, e os papéis da Axia Energia, AXIA3, com cinco indicações cada. A Axia é a companhia que sucedeu a antiga Eletrobras após a alteração da identidade corporativa e do código de negociação.
Veja as ações com maior número de recomendações
Considerando os códigos específicos negociados na B3, os principais destaques do levantamento foram:
| Ação | Empresa |
Número de indicações |
|---|---|---|
| ITUB4 | Itaú Unibanco PN |
5 |
| PETR4 | Petrobras PN |
5 |
| VALE3 | Vale |
5 |
| AXIA3 | Axia Energia |
5 |
| ALOS3 | Allos |
4 |
| BPAC11 | BTG Pactual |
3 |
| BBDC4 | Bradesco PN |
3 |
| EMBR3/EMBJ3 | Embraer |
3 |
| ENEV3 | Eneva |
3 |
| RENT3 | Localiza |
3 |
| RDOR3 | Rede D’Or |
3 |
| SBSP3 | Sabesp |
3 |
A contagem pode variar quando uma mesma empresa possui diferentes classes de ações. Petrobras, por exemplo, também apareceu com PETR3 na carteira do Santander. O Bradesco recebeu três indicações para BBDC4 e uma para BBDC3. O Itaú somou cinco recomendações para ITUB4 e uma para ITUB3.
Itaú lidera preferência entre os bancos
O setor financeiro foi um dos mais presentes nas carteiras de julho. Além do Itaú, apareceram entre as recomendações BTG Pactual, Bradesco, Itaúsa, Nubank, BB Seguridade, Caixa Seguridade e Porto.
A preferência pelos bancos está associada à capacidade de geração de resultados, à solidez dos balanços e à possibilidade de distribuição de dividendos. Instituições financeiras também podem se beneficiar de margens maiores em determinadas operações quando os juros permanecem elevados.
O Itaú foi incluído nas carteiras da Ágora, Ativa, BTG Pactual, Genial, Santander e XP, considerando suas duas classes de ações. O BTG Pactual recebeu três indicações, enquanto o Bradesco apareceu em quatro carteiras quando somadas as ações ordinárias e preferenciais.
Mesmo assim, os juros altos também podem aumentar a inadimplência e reduzir a procura por crédito. Por isso, a qualidade da carteira de empréstimos e o controle de riscos continuam sendo aspectos importantes para os investidores.
Petrobras permanece como proteção contra riscos internacionais
As ações preferenciais da Petrobras receberam cinco indicações. A companhia foi escolhida por Ágora, Ativa, BTG Pactual, Empiricus e EQI Research. O Santander incluiu as ações ordinárias PETR3 em sua seleção.
A estatal permanece entre as maiores geradoras de caixa da Bolsa brasileira e ainda atrai investidores interessados em dividendos. Ao mesmo tempo, seu desempenho depende dos preços internacionais do petróleo, da política de investimentos, das decisões sobre distribuição de resultados e da interferência política.
O Itaú BBA retirou a Petrobras de sua carteira após a redução das tensões no Oriente Médio. O BTG, por outro lado, manteve a empresa como uma forma de proteção diante da possibilidade de uma nova deterioração do cenário geopolítico.
Esse posicionamento mostra que uma mesma ação pode ser avaliada de maneiras diferentes pelas instituições, dependendo das premissas usadas em cada análise.
Vale continua entre as principais blue chips
A Vale também recebeu cinco recomendações, aparecendo nas carteiras da Ágora, Ativa, Empiricus, Santander e XP.
A mineradora continua sendo uma das empresas mais relevantes do Ibovespa e oferece exposição ao mercado internacional de minério de ferro. Seu desempenho está diretamente ligado à atividade econômica chinesa, aos preços das commodities, ao câmbio e ao controle de custos.
A empresa costuma ser procurada pela geração de caixa e pelo potencial de pagamento de dividendos, mas está sujeita às oscilações do minério de ferro e às incertezas relacionadas à economia chinesa.
Axia Energia ganha espaço nas carteiras
A Axia Energia apareceu entre as preferidas de Ágora, Ativa, BTG Pactual, EQI Research e Itaú BBA.
O destaque da companhia reforça a busca por empresas do setor elétrico, normalmente vistas como opções mais defensivas por apresentarem receitas relativamente previsíveis e demanda menos sensível às oscilações da economia.
Além da Axia, as carteiras analisadas incluíram nomes como Eneva, Equatorial, Cemig, Copel e Isa Energia. O setor combina empresas voltadas à geração, transmissão e distribuição de energia, cada uma com riscos e características operacionais diferentes.
Allos aparece em quatro carteiras
A administradora de shopping centers Allos foi recomendada por Ágora, BB Investimentos, BTG Pactual e EQI Research.
A companhia pode se beneficiar da recuperação da atividade econômica, do crescimento das vendas do varejo e da redução futura das taxas de juros. Entretanto, o setor de shopping centers permanece sensível ao consumo das famílias, à inflação, ao custo do crédito e às condições do mercado imobiliário.
A presença da Allos, Multiplan e Iguatemi nas carteiras mostra que algumas instituições enxergam oportunidades no segmento, apesar do cenário ainda desafiador para empresas ligadas à economia doméstica.
Cautela marca as estratégias de julho
As recomendações foram elaboradas em um ambiente de maior cautela. O Ibovespa chegou a julho após quatro meses consecutivos de queda, enquanto investidores estrangeiros reduziram parte da exposição à Bolsa brasileira.
Desde o pico registrado em 14 de abril, o capital estrangeiro teria retirado aproximadamente R$ 36,2 bilhões da B3, segundo dados compilados pela EQI Research e citados no levantamento.
As incertezas sobre os juros no Brasil e nos Estados Unidos também influenciaram a composição das carteiras. Com a inflação brasileira ainda pressionada, o espaço para reduções mais intensas da taxa básica permanece limitado. Ao mesmo tempo, juros elevados nas economias desenvolvidas tornam os ativos de países emergentes relativamente menos atraentes.
A Genial Investimentos avaliou que a Bolsa brasileira continuava barata, mas enfrentava dificuldade para atrair novos compradores. Segundo a instituição, o Ibovespa era negociado a 8,3 vezes o lucro projetado para os 12 meses seguintes, cerca de 21% abaixo de sua média histórica.
O desconto, por si só, não garante valorização. Para que os preços avancem de forma consistente, o mercado costuma depender de fatores como melhora das expectativas fiscais, redução dos juros, crescimento dos lucros empresariais e retorno do capital estrangeiro.
Estratégias combinam defesa, dividendos e valorização
As carteiras de julho mostram uma tentativa de equilibrar três objetivos: proteger o patrimônio em um ambiente de volatilidade, receber dividendos e manter exposição a empresas com potencial de valorização.
O Safra, em sua carteira própria para o mês, destacou empresas com geração de caixa, elevada liquidez, endividamento controlado e menor dependência do consumo doméstico. A instituição manteve posições em companhias dos setores financeiro, elétrico, de mineração, petróleo, infraestrutura, construção e shopping centers.
Já a XP informou que sua seleção considera visão de longo prazo, diversificação setorial, preços considerados atrativos e perspectivas de crescimento. Para julho, a instituição adicionou Rede D’Or, aumentou a participação em Orizon e retirou Copel de sua carteira principal.
O BB Investimentos renovou totalmente sua Carteira 5+, incluindo Allos, Bradesco, Cemig, Motiva e Vivara. No acumulado de 2026 até o encerramento de junho, a carteira registrava valorização de 5,81%, ante alta de 6,76% do Ibovespa.
Recomendações não representam garantia de retorno
As carteiras recomendadas são elaboradas a partir de cenários econômicos, projeções de resultados e avaliações feitas por equipes de análise. Elas não representam garantia de valorização e podem ser alteradas conforme surgem novos dados.
Uma empresa pode ser adequada para determinado perfil de investidor e incompatível com outro. Antes de comprar ações, é necessário analisar objetivos, prazo, tolerância a perdas, necessidade de liquidez e nível de diversificação da carteira.
Também é importante evitar a concentração excessiva em uma única empresa ou setor. Mesmo companhias sólidas podem sofrer quedas causadas por mudanças econômicas, políticas, regulatórias ou operacionais.
Aviso editorial: Esta matéria possui caráter exclusivamente informativo e educacional. As ações mencionadas não constituem recomendação individual de investimento, promessa de rentabilidade ou indicação de compra ou venda de ativos.
