Imagem ilustrativa sobre produção, exportações e preços do café em 2026.Arte: Agência Portal Três Pontas / imagem gerada por IA
Produção, vendas externas, receita e preço seguem movimentos diferentes — e precisam ser analisados em conjunto.
Em uma cidade profundamente ligada à cafeicultura, os números do setor fazem parte da vida econômica. Mas olhar apenas para a estimativa de safra ou para a cotação do dia pode produzir uma leitura incompleta. Em 2026, dados de produção e comércio exterior mostram justamente por que o mercado precisa ser acompanhado por vários ângulos.
A Companhia Nacional de Abastecimento estimou uma safra brasileira de 66,2 milhões de sacas em 2026, crescimento de 17,1% sobre o ciclo anterior. A área em produção foi estimada em 1,9 milhão de hectares, alta de 4,1%, enquanto a produtividade média projetada chegou a 34,2 sacas por hectare, avanço de 12,4%.
Do outro lado, o Cecafé informou que o Brasil exportou 38,462 milhões de sacas de 60 quilos na safra 2025/26, queda de 15,7%. A receita cambial ficou em US$ 14,595 bilhões, recuo de 1%, ainda o segundo maior resultado da série informada pela entidade.
Como exportar menos e manter receita elevada?
Volume e receita não caminham obrigatoriamente na mesma proporção. Preços médios, câmbio, composição dos embarques e mercados de destino influenciam o valor recebido. Em junho de 2026, por exemplo, as exportações somaram 3,060 milhões de sacas, alta de 16,9%, mas a receita de US$ 972,8 milhões ficou 6% menor na comparação apresentada pelo Cecafé.
O comércio com os Estados Unidos também merece atenção. No período tarifário analisado pela entidade, os embarques brasileiros para o mercado norte-americano caíram 54,9%, de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas. O dado ajuda a entender o ambiente externo, mas não mede sozinho o impacto para cada produtor ou cooperativa.
Preço é fotografia, não garantia
Em 16 de julho, o indicador Cepea/Esalq do arábica estava em R$ 1.706,75 por saca; o conilon, em R$ 1.092,56. São referências de um dia específico. O resultado efetivo de cada negócio depende de qualidade, contrato, prazo, custos, impostos, logística e estratégia comercial.
O que acompanhar na propriedade e no negócio
- custo por hectare e por saca;
- produtividade realizada, não apenas a estimada;
- qualidade e diferenciação do lote;
- fluxo de caixa e calendário de compromissos;
- exposição a preço, câmbio e contratos;
- informações de cooperativas, assistência técnica e fontes oficiais.
Para afirmar o efeito desses movimentos em Três Pontas, ainda são necessários dados municipais de produção e comercialização, além de relatos locais autorizados. O cenário nacional oferece contexto; a realidade do produtor exige apuração próxima.
Um painel mensal para acompanhar sem depender de um único preço
O produtor e as empresas ligadas ao café podem montar um painel simples com seis campos: cotação de referência, dólar, volume vendido, custo estimado por saca, compromissos dos próximos 90 dias e percentual da produção já negociado. A série ao longo do tempo é mais útil que uma cotação isolada.
Também vale registrar a origem de cada número. Estimativa da Conab, exportação do Cecafé, indicador do Cepea e preço efetivamente recebido na propriedade medem coisas diferentes. A comparação só é válida quando unidade, qualidade, período e condição comercial estão claros.
Fontes
- Conab, primeiro levantamento da safra de café de 2026.
- Cecafé, relatório de exportações da safra 2025/26.
- Cepea/Esalq, indicadores de preços.
