Portal Três Pontas / imagem ilustrativa

Segundo declarações de Rodrigo Alexandre Silva reproduzidas pela Equipe Positiva, movimentações investigadas desde 2020 somariam R$ 3.107.102,82; análise bancária continua em andamento e não há conclusão sobre eventual participação de outras pessoas.

A investigação sobre possíveis irregularidades financeiras na Prefeitura de Três Pontas ganhou um novo e relevante capítulo após pronunciamento do vereador Rodrigo Alexandre Silva, vice-presidente da Câmara Municipal e também investigador da Polícia Civil.

Segundo reportagem da Equipe Positiva sobre o pronunciamento de Rodrigo, ele afirmou que as apurações já indicam movimentações que somam R$ 3.107.102,82 desde 2020. De acordo com os números apresentados por ele, os valores investigados teriam começado em R$ 10,7 mil naquele ano e aumentado gradualmente. O maior volume teria ocorrido em 2024, com R$ 885.777,63.

O novo montante supera a estimativa de aproximadamente R$ 2,7 milhões divulgada anteriormente pela Polícia Civil e repercutida pelo g1 Sul de Minas e pelo Jornal da EPTV. O total, entretanto, ainda deve ser tratado como valor em apuração, já que, segundo Rodrigo, instituições bancárias continuam fornecendo informações relacionadas às medidas judiciais e à quebra de sigilo.

Importante: a investigada permanece submetida ao devido processo legal. A prisão preventiva não representa condenação, e as responsabilidades definitivas dependerão da conclusão da investigação e das decisões judiciais.

Transferências teriam sido direcionadas para conta pessoal

Um dos pontos mais relevantes apresentados por Rodrigo diz respeito à possível forma como os recursos teriam sido movimentados. Segundo a Equipe Positiva, ele afirmou que a análise inicial dos extratos bancários indicaria que os valores investigados eram transferidos para uma conta pessoal da própria investigada.

Rodrigo afirmou ainda que as movimentações teriam sido realizadas gradualmente, geralmente em valores inferiores a R$ 5 mil e com quantias variadas. Na avaliação apresentada por ele, esse padrão poderia ter contribuído para que as operações não chamassem atenção imediatamente.

A declaração acrescenta um elemento importante ao caso, mas ainda não esclarece de que forma essas transferências eram registradas no sistema financeiro e contábil do Município. Permanecem sem resposta pública questões como qual sistema teria sido utilizado, quais dados teriam sido inseridos ou alterados, quem autorizava as operações e como eram feitas as conferências posteriores.

Inserção de dados falsos permanece entre as linhas investigativas

Anteriormente, a Polícia Civil informou que a servidora poderia responder inicialmente por possíveis crimes de peculato e inserção de dados falsos em sistema de informações. Com as novas informações sobre possíveis transferências para conta pessoal, a análise dos sistemas informatizados tende a ganhar ainda mais importância.

Isso não significa que já esteja comprovada uma forma específica de manipulação. A investigação deverá verificar registros de acesso, datas e horários, alterações em cadastros de beneficiários, ordens de pagamento, registros contábeis, contas bancárias de destino e trilhas de auditoria.

Dados bancários ainda estão sendo analisados

Segundo Rodrigo, parte das novas informações surgiu após o cumprimento de medidas cautelares determinadas pela Justiça, incluindo quebra de sigilo bancário, busca e apreensão, prisão preventiva e indisponibilidade de bens.

Ele afirmou que os extratos bancários foram essenciais para dimensionar as movimentações investigadas e que instituições financeiras ainda estariam fornecendo documentação. Dessa forma, o montante de R$ 3.107.102,82 não deve ser tratado como valor final.

Rodrigo diz que ainda não é possível concluir se houve atuação individual

Outro ponto relevante é a possibilidade de participação de outras pessoas. Rodrigo afirmou que, neste momento, a investigação ainda não permite concluir se a servidora teria agido sozinha.

Essa declaração não significa que existam outras pessoas formalmente apontadas como participantes. Significa apenas que essa possibilidade ainda não foi descartada.

Controle Interno volta ao centro do debate

Durante o pronunciamento, Rodrigo também fez críticas aos mecanismos de fiscalização da Administração Municipal. Nesse ponto, é importante distinguir suas duas funções: ele atua profissionalmente como investigador da Polícia Civil, mas também exerce mandato de vereador e ocupa a vice-presidência da Câmara Municipal.

Assim, críticas ao Controle Interno, cobranças por fiscalização e pedidos de auditoria externa devem ser compreendidos como manifestação parlamentar, e não automaticamente como conclusão oficial da Polícia Civil.

Vereador pede auditoria externa

Na condição de vereador, Rodrigo informou, segundo a Equipe Positiva, ter protocolado requerimento solicitando a contratação de auditoria externa nas contas da Prefeitura. O Portal Três Pontas ainda busca localizar e conferir o documento oficial e sua tramitação legislativa.

De R$ 2,7 milhões para R$ 3,1 milhões

Em 5 de agosto, informações atribuídas à Polícia Civil e divulgadas pelo g1 Sul de Minas e pelo Jornal da EPTV apontavam possível prejuízo estimado em aproximadamente R$ 2,7 milhões. Agora, segundo Rodrigo, o levantamento chegou a R$ 3.107.102,82. A diferença reforça que o rastreamento bancário ainda está em curso.

Linha do tempo

  • Auditoria interna: Prefeitura identifica indícios de possíveis irregularidades em movimentações financeiras.
  • Afastamento preventivo: Administração afasta a servidora e comunica as autoridades.
  • 4 de agosto: servidora é presa preventivamente em Varginha durante operação da Polícia Civil.
  • 5 de agosto: informações atribuídas à Polícia Civil apontam estimativa inicial de aproximadamente R$ 2,7 milhões.
  • 10 de agosto: Rodrigo Alexandre Silva apresenta novos números durante sessão da Câmara.
  • 11 de agosto: Equipe Positiva publica que o levantamento teria chegado a R$ 3.107.102,82, com movimentações desde 2020.

O que já se sabe

  • existe investigação criminal em andamento;
  • uma servidora municipal foi presa preventivamente;
  • ela estava lotada no setor de Tesouraria da Secretaria Municipal de Fazenda;
  • houve medidas de busca, apreensão, indisponibilidade de bens e quebra de sigilo bancário;
  • o levantamento citado por Rodrigo chega a aproximadamente R$ 3,1 milhões;
  • as movimentações teriam começado em 2020;
  • segundo Rodrigo, os recursos teriam sido transferidos para conta pessoal da investigada;
  • a análise bancária ainda não terminou.

O que ainda não se sabe

  • o valor final do possível prejuízo;
  • o número total de operações;
  • quais recursos municipais foram atingidos;
  • como as movimentações eram registradas nos sistemas;
  • quais controles foram ultrapassados;
  • se houve utilização de credenciais de terceiros;
  • se existia dupla autorização;
  • como eram realizadas as conciliações bancárias;
  • se outras pessoas participaram;
  • qual foi o destino final do dinheiro;
  • quanto poderá ser recuperado;
  • quais responsabilidades administrativas poderão ser identificadas.

Transparência e devido processo legal

A investigação envolve recursos públicos e, por isso, possui elevado interesse social. A população tem direito de conhecer os fatos, os valores apurados e as medidas adotadas para recuperar eventuais prejuízos e impedir novas ocorrências.

Esse direito deve coexistir com a presunção de inocência, o contraditório e a ampla defesa. As informações apresentadas por Rodrigo ampliam o conhecimento público sobre o caso, mas não substituem a conclusão oficial do inquérito nem uma decisão judicial definitiva.


Fontes consultadas

Equipe Positiva — 11 de agosto de 2026: reportagem sobre o pronunciamento de Rodrigo Alexandre Silva e os novos valores apresentados. Acessar fonte.

g1 Sul de Minas / Jornal da EPTV — 5 de agosto de 2026: reportagem sobre a prisão preventiva, estimativa inicial de R$ 2,7 milhões, enquadramentos investigados e medidas cautelares. Acessar fonte.

Prefeitura Municipal de Três Pontas: nota oficial sobre auditoria interna, afastamento preventivo e comunicação às autoridades.

Câmara Municipal de Três Pontas: perfil institucional de Rodrigo Alexandre Silva, utilizado para confirmar mandato, vice-presidência da Câmara e atuação profissional como investigador da Polícia Civil.

Nota de transparência editorial

Parte das informações mais recentes desta reportagem tem origem nas declarações feitas por Rodrigo Alexandre Silva durante sessão da Câmara Municipal e reproduzidas pela Equipe Positiva. Embora Rodrigo também seja investigador da Polícia Civil, determinadas afirmações feitas em seu pronunciamento, especialmente críticas à Administração e pedido de auditoria externa, correspondem à sua atuação parlamentar. Sempre que não houver confirmação institucional independente, o Portal atribui expressamente a informação ao autor da declaração.

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